A Profissão

 

Confira esse artigo sobre a profissão, retirado do Estadão:

 

A Profissão

O crescimento do mercado Pet traz grandes oportunidades para aqueles que amam os animais e querem trabalhar neste campo. Depois do aumento da demanda por tosadores, ajudantes gerais, e recepcionistas de lojas de animais, clínicas, hospitais, este é o momento dos auxiliares serem concorridos pelos empregadores. A grande demanda significa que esses profissionais têm rendimentos mais elevados do que dois mil reais por mês.

O cargo consta  na Classificação Brasileira de Ocupações do Ministério do Trabalho e Emprego (ocupação 5193-05) desde 2002.

Embora não haja registros oficiais do mercado, porque são muitos os que ainda trabalham como “ajudante geral” nas clínicas e nas lojas de animais de estimação, estima-se que existem mais de dez mil empregos apenas no estado de São Paulo, de acordo com a veterinária, Elaine Pessuto, diretora do Centro para a Educação e Treinamento em Anatomia e Cirurgia de medicina Veterinária (Cetac). “A esperança é que, para cada clínica, há um assistente para cada setor, em cada período, o que leva a um cálculo de, pelo menos, oito assistentes. Sabendo que em São Paulo temos 1,030 clínicas, chegamos a projeção de mais de 8.240 estações de trabalho, sem contar as 2.500 lojas de animais de estimação, que também contratam ao menos um assistente. “

O veterinário Eduardo Pacheco, diretor do Hospital Veterinário Santa Inês, diz que a profissão é a chave para a melhoria do atendimento dentro da instituição. “São como as enfermeiras, formada por veterinários, e são essenciais para o correto funcionamento da logística interna. Para complementar o nosso serviço, sob supervisão, fazer a coleta de exames laboratoriais, através da aplicação de medicamentos sob prescrição médica, entre outras atividades. Temos que ter esse tipo de apoio para poder raciocinar sobre o caso do paciente, podemos aumentar a nossa agilidade, atendimento ao cliente e até mesmo falar com o dono. Temos a economia de tempo e, portanto, financeira. “

 

 

Ganhos

O salário médio de um assistente de veterinário estima-se em oitocentos reais, para um volume de trabalho de 44 horas por semana. “Mas pode chegar a quatro vezes o salário mínimo, sobre a base da experiência e da escala em que o trabalhador realiza”, diz Pacheco.

Técnico em eletrônica, Jonathas Souza Araújo Tavares, de 24 anos, colocou em seu planejamento para o ano de 2013: fazer o curso de auxiliar em veterinária, e mudar radicalmente a área. “Eu descobri que meu amor pelos animais é maior do que pensava, e que esta área é um bom nicho de mercado para se investir. É algo que eu tenho facilidade para lidar e me dá prazer. Acho que vai ser melhor para mim, a longo prazo, porque o que eu quero é fazer medicina veterinária”, conta.

Para o diretor Fabio Magalhães, que trabalhou durante 15 anos na área e coordena cerca de 10 ajudantes no Santa Inês, a previsão de rota para Tavares foi uma realidade para muitos dos profissionais que atuaram como seu assistente. Para ele, o título permite que você aprenda mais do que simplesmente realizar procedimentos em um hospital. “Traz consigo a possibilidade de compreensão do comportamento dos animais e até mesmo sobre o sentido da vida.”

Magalhães considera que o reconhecimento da função está ligada ao desenvolvimento da medicina veterinária. “Eu vejo uma evolução. Eu sou da época em que tinha que focar a agulha de punção da medula espinhal e esterilizar a seringa de vidro. O processo de atendimento e os serviços do ramo animal de estimação mudou muito. O veterinário e as clínicas precisaram especializar-se.

Para ele, que também fez o curso de técnico de enfermagem em humanos, para melhorar os conhecimentos, a experiência, além da ética e da disciplina, para criar laços e sinergias com os veterinários, isso lhe permite falar com os aspectos clínicos da atenção, tais como a percepção de dor, melhor forma de fazer assepsia, etc.

Lembram os profissionais, no entanto, que nem sempre o amor aos animais é suficiente para realizar a função, mas é necessário. “O gosto por animais é essencial, porém, em excesso, pode causar danos. Muitas vezes é necessário ter paciência, sangue-frio em situações de emergência e aprender a lidar com a morte, como, em alguns casos, a eutanásia é a única forma para aliviar o sofrimento dos animais”, diz Magalhães. Para ele, é necessário entender e ter a emoção controlada, além de ser cortês com os proprietários, que muitas vezes são nervosos por causa da saúde do seu melhor amigo que os consideram com uma criança”, diz Magalhães.

 

Equilíbrio

Em seus 6 anos de ocupação, o auxiliar Edvaldo Alves Ferreira sabe muito bem que o colega fala. Passou por situações tristes, mas manteve o equilíbrio necessário da posição.

“A técnica é muito fácil de pegar, mais difícil é entender o limite dos animais e das pessoas. Você precisa estar tranquilo, mesmo em face de uma situação tão absurda, para passar a paz para o proprietário do animal. Você pode obter aqui um caso de um animal agressivo por causa da dor, ou fisicamente muito doente. Em situações como essa, é comum ver o dono fragilizado e chorando, mas se você absorver esse clima e chorar, vai impedir o progresso do trabalho. É claro que nós sentimos emoções, mas temos que ser fortes e racionais para ajudar a mudar esse quadro crítico.”

Para ele, um dos casos que marcaram sua carreira chegou das ruas. “Uma senhora trouxe um cão da raça Sharpei que foi adotado. Perambulava pelas ruas e era muito agressivo. Seu estado de saúde era grave, e o cão teve que ser hospitalizado por quase um mês, por causa dos seus problemas. O que me fez feliz foi ver que o tratamento e convívio mudou sua natureza,” ele diz. E acrescenta: “Quando chegamos, ninguém podia mexe-lo sem focinheira – e mesmo assim era difícil, mas saiu daqui sem focinheira, deixando aplicar a medicação de forma pacífica. Eu achei muito interessante, porque foi a confiança que fez essa transformação, e também fez-lhe compreender que queríamos ajudar.”

Assim como em outras profissões, o auxiliar veterinário deve ser consciente do seu trabalho, e que pode, e não pode fazer, para não cometer um crime. Exercer a profissão de médico veterinário sem graduação é ilegal, considerado um crime e deve ser denunciado perante o Ministério Público e a polícia. “Como já diz o nome, o auxiliar só pode ajudar o médico veterinário, tais como, por exemplo, na captura de animais, limpeza e desinfecção de mesas de serviço e o equipamento utilizado, ou mesmo em cirurgias, mas sempre ajudando, nunca sozinhos”, diz a médica veterinária Tatiana Pelucio, assessora técnica da presidência do Conselho regional de medicina Veterinária de São Paulo (CRMV-SP).

 

Curso também ajuda indecisos a decidir sobre graduação na área

A procura pela capacitação de auxiliar veterinário tem sido o objetivo não apenas para os candidatos que desejam entrar nesta profissão, mas também para aqueles que querem usar o curso como uma prova de aptidão para decidir se fará a faculdade de medicina veterinária, ou não. Há também outros profissionais, tais como os criadores, adestradores, passeadores, os proprietários e operadores de lojas de animais de estimação que desejam ter o aprendizado como um diferencial no seu papel e nos negócios.

Até mesmo as pessoas que são apaixonados por animais fazendo o curso para um melhor desempenho como voluntário em ONGs, operações de resgate e de primeiros socorros.

Apesar de não ser reconhecido pelo MEC, escolas e hospitais levam a experiência clínica para a sala de aula. Neste curso, os alunos aprendem as técnicas e boas práticas de higiene, os conceitos básicos da fisiologia e da anatomia dos cães e dos gatos, a análise da gravidade do estado de saúde, legislação, técnicas de resgate, a informação sobre o comportamento dos animais, gestão, entre outros dados.

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